Artes [neo]Concreta

Atualmente vivemos uma arte contemporânea ampla, diversa, sem poder cercar ou definir qual é o “padrão” desse movimento, mas, lá pelos anos 50, o Brasil experimentou um grande debate sobre a arte abstrata, promovido pelas obras do concretismo e do neoconcretismo. Mergulhadas nos rumos do desenvolvimento e da industrialização brasileira dos anos 1950 e 60, as pesquisas artísticas e literárias fugiram das conotações líricas ou simbólicas, pois já diria Van Doesburg em seu Manisfesto Arte Concreta “nada é mais concreto, mais real, que uma linha, uma cor, uma superfície”.

A criação de museus de arte moderna, sobretudo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e a organização da Bienal de Arte de São Paulo que consagrou a Unidade Tripartida do suiço e professor da escola de ULM, Max Bill, levaram a discussão para um público cada vez maior. O grupo paulista, Ruptura e o grupo carioca, Frente, mostraram, em 1956, na primeira exposição nacional de arte concreta, no MAM de São Paulo os vários caminhos de interpretação do concretismo. Se, por um lado, Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros e Luis Sacilotto, buscavam a realidade industrial, evidenciando estruturas e planos relacionados, formas seriadas e geométricas, racionais,da obra de arte como produto, por outro lado, o grupo frente rompiam o espaço da representação para propor a interação.

Em 1959, artistas como Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape tomaram uma “posição neoconcreta”, temendo que a arte concreta levasse a uma perigosa exacerbação racionalista. Dessa forma, surgiu na capital carioca uma arte mais livre para as experimentações, procurando formas de libertar os indivíduos dos condicionamentos sociais e históricos.

Já pela “alcunha” dos grupos faz-se ideia que o movimento concreto surgiu antes do neoconcreto, ambos possuem certas similaridades e certas diferenças, mas basicamente podemos pensar o grupo concreto como aquele protagonizado em São Paulo, de preceitos mais fixos, arte industrial, geométrico, matemático… Já o neoconcreto pode ser considerado uma alternativa mais voltada para o corpo, para as sensações, para a percepção e intervenção no mundo, pensado e adotado primeiramente por um pessoal mais “susse” do Rio de Janeiro. Mas tudo isso sem esquecer que as principais similaridades dos dois parece ser a busca utópica de uma arte para muitos, para todos, através da seriação, da construção, da materialidade cotidiana e da vida sinestésica de um país em desenvolvimento.

Ambos os grupos (muito pela busca de uma estética de produção industrial em seu trabalho artístico), aproximaram-se do campo do Design, quem se interessar pode dar uma conferida no artigo “Concretismo e Neoconcretismo no design gráfico brasileiro: duas visões da integração entre arte e vida cotidiana”, da mestra Ana de Gusmão Mannarino, disponível junto com diversos outros artigos para a área de Design no site http://www.designemartigos.com.br/.

Na galeria de hoje, muita arte para concretas e neoconcretas.

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Sobre artebrasileirautfpr

Um endereço para aproximar, experimentar e [re]conhecer a arte brasileira.
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