Uma breve passagem pela vida e obra de Waldemar Cordeiro

Waldemar Cordeiro nasceu na Itália, em 1923, e estudou na Academia de Belas Artes de Roma. Em 1946 veio para o Brasil, onde começou trabalhando como crítico de Arte.

Cordeiro teve uma trajetória artística pontuada por vários impasses que marcaram a arte do século XX. Transitou pelas propostas das vanguardas: começou por uma fase expressionista, incorporou elementos do cubismo e ensaiou composições abstratas informais, que se tornaram geométricas, sinalizando sua adesão aos princípios construtivos.

Como um dos fundadores e teóricos do concretismo no Brasil, no início dos anos 50, Cordeiro formula e assina, juntamente com os artistas concretos de São Paulo, o manifesto Ruptura, em 1952.

Neste momento, o artista rejeita a ideia de arte como representação e passa a entendê-la como processo de conhecimento. O objeto ganha autonomia, transformando-se em uma realidade em si. O artista se aproxima da indústria e o rigor construtivo se orienta pela Gestalt. Estes foram alguns do fundamentos que Waldemar Cordeiro seguiu ao longo dos anos 50.

Já na década de 60, o artista começa a rever criticamente o concretismo e passa a adotar elementos ready-made, da pop art e da arte cinética. A intenção era ampliar a prática concreta às relações mais amplas e complexas que iam além do campo específico da arte. Ele buscou também abordar os problemas sociais e criticar a alienação do indivíduo e o consumismo imposto pelos meios de comunicação de massas. Estas preocupações de Cordeiro resultaram nos ‘Pop Concretos’ criados por ele e Augusto de Campos. Nas obras “Popcreto para um popcrítico”, de 1964 eles se apropriaram de imagens usadas nos meios de comunicação de massa (no caso jornal e fotografia), objetos de uso cotidiano e o recurso da fragmentação. (checar esta frase, pois juntei duas informações que estavam truncadas)

Waldemar Cordeiro inicia mais uma fase em seu trabalho em 1968. Ele abandona a produção de objetos e passa a se dedicar à investigação das possibilidades de utilização artística do computador. Cordeiro via a arte eletrônica como uma consequência lógica da arte concreta.
Em um depoimento ele disse: “Então volto ao ponto de partida. A arte concreta o que fazia: digitalizava a imagem, números, superfícies com quantidades, relacionava essas quantidades, programava os quadros. A execução era artesanal apenas porque não havia indústria alguma que quisesse fazer isso e os artistas não tinham dinheiro para pagar- nós não tínhamos dinheiro para pagar. Mas intencionalmente nossos quadros eram programados. Os quadros concretos poderiam ter sido executados por uma tipografia, por uma indústria, por uma máquina, porque eles tinham na sua base um programa numérico – note bem – como a arte digitalizada. Evidentemente que a programação da arte concreta é muito mais elementar do que a programação com o computador (…) mas os primórdios estão aí. Essas pesquisas se inserem perfeitamente dentro da arte moderna como se inseriam todas essas tendências chamadas genericamente construtivas.” Depoimento de cordeiro gravado em 16 de maio de 1970. In: Waldemar Cordeiro, CD-ROM. Para Cordeiro, o computador transformaria não só a arte mas a vida humana em todas as suas dimensões. Podemos ver parte destas investigações de Cordeiro nas obras ‘ Retrato de Fabiana’, ‘A mulher que não é B.B.’, Goya’, ‘detalhe de Saturno’ e ‘Pirambu’.

Em 1963, Cordeiro falece, interrompendo assim suas pesquisas sobre as potencialidades artísticas dos meios eletrônicos.

“…uma obra de arte não é um objeto, não é uma coisa, é uma proposta para o homem, é uma proposta pra uma sociedade…” Depoimento de cordeiro gravado em 16 de maio de 1970. In: Waldemar Cordeiro, CD-ROM

Algumas de suas obras:

Referência:
http://www.itaucultural.org.br/
http://www.cibercultura.org.br/
Costa, Helouise. Waldemar Cordeiro. 2002.

Cocchiarale, Fernando; Geiger; Anna Bella. Abstracionismo Geométrico e informal. 1987.

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