Tunga

Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, mais conhecido como Tunga nasceu em Pernambuco, em 1952. Mas ele não gosta de ser considerado um artista brasileiro, assim como não gostaria de ser considerado um artista norte – americano ou europeu.
Tunga acredita que existem várias contribuições, o que nos impossibilita de falarmos de uma arte ou de um artista de forma tão específica.

Filho de jornalista e poeta, Tunga diz que seu pai a contribuiu bastante em sua forma de criar, com liberdade e poesia, fugindo sempre do senso comum. Para este artista, suas obras remontam instantes da sua memória que, juntas, formam a obra inteira, segundo ele, uma obra leva à outra, estando ligadas entre si.

Das obras de Tunga fazem parte, desenhos, pinturas, instalações, peças tridimensionais e vídeos. Os materiais utilizados são os mais inusitados possíveis e geralmente se repetem em diferentes obras, dando ainda mais força à relação de continuidade e de conversa que uma obra tem com a outra. A gelatina é um dos materiais usados por ele e que representa bem este conceito. Ela está presente em algumas obras, como é o caso “Cadentes Lácteos” (1994) onde pequenas sinetas, jarras e cálices estão coladas à sinos gigantescos, lambuzados de gelatina formando uma peça só. Os imãs, também muito usados por Tunga, representam as forças de atração e repulsão que existem entre os corpos, como na obra “Lagarte/Lizart/Lesarte” (1989), a lagartixa de ferro que dá nome ao trabalho é minúscula e fica grudada em tacapes imensos, atraída por seus ímãs, em meio a pentes e cabeleiras agigantadas. Mas além destes, estão presentes também em suas obras, chumbo, ouro, prata, cobre, aço, latão, alumínio, madeira, borracha e argila, pólvora, ácido sulfúrico e éter; velas, líquido luciferino, lâmpadas, lamparinas, lanternas e lampiões; baton, perucas, cabeleiras, tranças, laços de cetim, pentes, pérolas, seda pura, agulhas e dedais; e vários outros.

Os trabalhos de Tunga representam situações fantásticas que se desviam da normalidade. Algumas vezes são produzidos textos para estas obras que se assemelham a documentos científicos, contendo recorte de jornais, relatórios de pesquisa, depoimentos, telegramas, cartas, inscrições arqueológicas, achados paleontológicos, registro de experiências telepáticas, etc. Isto, além de impregnar a obra de mistério e magia, promove mais uma vez o enlace entre elas. Em “Xipófagas Capilares Entre Nós” (1985) a história começa nas pesquisas acerca da época da construção do Tunel dos Dois Irmãos que Tunga teria empreendido para a filmagem de Ão. E assim vai surgindo a história das gêmeas xifópagas (duas irmãs, como os dois irmãos do tunel), que antes de chegarem à puberdade, haviam sido sacrificadas por sua comunidade que em seguida arranca sua cabeleira, com a desculpa de evitar catástrofes. A cabeleira vira troféu e vai parar numa outra história, e assim, sucessivamente, a narrativa continua através de acontecimentos casuais, que estariam na origem de cada uma das obras que compõem a exposição (Aõ, Torus, As jóias de Madame de Sade, Troféu, Manifesto Oculto, Pintura Sedativa, Revê-la Antinomia).

Algumas de suas obras:

Bibliografia:
http://revistatrip.uol.com.br/revista/194/paginas-negras/tunga.html
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=3441
http://pt.scribd.com/doc/84812199/ROLNIK-S-Instauracoes-de-mundos

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