Questões socias na arte de Cildo Meireles

Cildo Meireles é artista plástico e nasceu no Rio de Janeiro em 1948.

Iniciou sua carreira desenhando, mas foi com uma arte totalmente diferente das artes tradicionais que Cildo se tornou conhecido no Brasil e no exterior.

Este reconhecimento se deu partir de 1970, durante o regime militar no Brasil, mais precisamente depois da promulgação do AI-5. Nesta época as obras de Cildo ganharam um caráter político muito forte. Como, por exemplo, nos trabalhos: Tiradentes – Totem-monumento ao Preso Político (1970); Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-cola (1970) e Quem Matou Herzog? (1970) .

Além do caráter político, estas obras tem também um caráter conceitual, a começar pela forma em que eram concebidas e como circulavam.

No caso da obra Quem Matou Herzog? (1975), Cildo Meireles carimbou várias notas de de um cruzeiro com a frase: “Quem matou Herzog?”.

Vladimir Herzog era um jornalista militante do Partido Comunista Brasileiro que foi chamado pelos militares para um interrogatório e nunca mais voltou. Segundo os militares ele havia se suicidado, mas estava bem claro que ele havia sido torturado até a morte.

Com a pergunta carimbada nas notas, Cildo fez com que sua indignação e seu protesto passasse de mão em mão sem sofrer qualquer tipo de repressão. Foi assim também com o Projeto Coca-Cola, no qual Cildo imprimia em branco nas garrafas de Coca-Cola vazias frases de caráter crítico- ideológico, como por exemplo “yankees, go home!”. Estas garrafas iam para fábrica, eram reabastecidas e depois vendidas,e estas frases desta forma iam circulando livremente.

Já em Tiradentes – Totem-monumento ao Preso Político (1970), Cildo executou uma ação realmente inesperada:diante de uma platéia atônita, o artista amarrou dez galinhas a uma estaca de madeira e, depois de encharcá-las com gasolina, incendiou-as vivas, num ritual público de grande crueldade. Esta apresentação aconteceu em Belo Horizonte em um evento de Vanguarda “Do corpo à terra”, que fazia parte das comemorações oficiais da semana da Inconfidência Mineira, para a qual Cildo foi convidado por Frederico Moraes a participar.

Sobre este trabalho ele deu uma entrevista, na qual explicou : “Este trabalho foi feito na semana que comemorou a Inconfidência. A figura deTiradentes estava sendo usada pelo regime militar de maneira muito cínica. Ele representava a antítese do que defendiam os militares. O regime militar tinha de fato transferido a capital de Brasília para Ouro Preto, perto do local da exposição, em Belo Horizonte. A exposição era parte de seu programa comemorativo, elegendo Tiradentes como “seu” herói nacional. Claro, a hipocrisia dessas manobras simbólicas era evidente, e eu decidi fazer um
trabalho sobre isso.” (MEIRELES, Cildo. Entrevista a Gerardo Mosquera. In: HERKENHOFF, Paulo. (et alii). Cildo Meireles . São Paulo: Cosac & Naify, 2000, p. 15)

Por esta postura consciente e engajada com as questões do seu tempo, Cildo Meireles é considerado por alguns críticos como um dos artistas mais lúcidos da sua geração.

Algumas de suas obras:

Bibliografia:
http://www.itaucultural.org.br
Freitas, Arthur ; Contra – Arte: vanguarda, conceitualismo e arte de guerrilha –1969-1973

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