Que cara tem o Brasil?

“A arte não é algo solto no espaço, ela faz parte da experiência vivenciada em sociedade. Assim, o nascimento de uma nova expressão artística promove sempre mudanças sociais profundas. Muda a sociedade, mudam as pessoas, muda a arte. Os modernistas fizeram história porque estavam sintonizados com esse quadro de mudanças.” Monica Velloso

A partir desta citação concluimos que para se pensar arte e os movimentos artísticos é necessário conhecer o contexto histórico em que estão inseridos. No caso da Arte Moderna Brasileira, uma ótima leitura pra se entender melhor ‘porque e como’ ela se deu, é o livro “Que cara tem o Brasil? As maneiras de pensar e sentir o nosso país”, de Monica Velloso.

Este livro nos deixa a par de todo o momento de transformação cultural que o Brasil vivia quando se deu o movimento modernista na Arte Brasileira e, mais do que isso, nos mostra como começou a se formar novas ideias sobre identidade nacional; as reações artísticas e populares diante destas mudanças, ajudando a compreender também o Brasil de hoje. Como Monica afirma no livro “o tempo não corre linearmente, já que passado e presente vão e vêm num movimento contínuo e falar do passado só faz sentido quando este expressa vivacidade e sintonia com as questões atuais”.

De maneira fácil e didática, Monica nos apresenta o Brasil nas décadas de 20 e 30 com suas diversidades. Para tal, ela traz excelentes exemplos de música, poesia, artes plásticas, crônicas, caricaturas, danças e festas.

O ponto de partida desta história é a Primeira Guerra Mundial, porque foi depois desse evento que a França deixa de ser referência cultural mundial. Isto aconteceu, segundo Velloso, porque a guerra trouxe um período de incertezas, fazendo com que as pessoas começassem a acreditar no potencial do novo mundo, no caso, o continente americano.

Voltando o olhar para o próprio país, os artistas e intelectuais brasileiros perceberam a necessidade de valorizar e modernizar o Brasil. Mas como? A partir daí Monica Velloso nos conta como as artes desempenharam papel fundamental para esta mudança, trazendo elementos populares para despertar as elites resistentes para uma nova realidade.
Na poesia se buscou uma forma mais livre e mais solta de expressão. Os artistas queriam mais liberdade pra pintar, não compactuavam com a arte figurativa. Como no caso do “abaporu”, de Tarsila do Amaral, no qual ela usa uma nova perspectiva e destaca em primeiro plano o pé enorme e desproporcional do homem pintado, sugerindo a importância das raízes culturais brasileiras . O nome “abaporu” é indígena e significa aba (homem) e poru (come), “homem que come”, numa referência ao antropofagismo, que neste contexto modernista significava a capacidade do brasileiro de absorver as mais variadas culturas. Na música houve uma valorização da cultura negra, inclusive com o samba. As danças de tradição africana, o lundu, o maxixe e a polca, também começaram a ser aceitos.
E o humor foi muito usado pelo caricaturistas da época. As caricaturas abordavam temas do cotidiano, fazendo com que o leitor se identificasse com os problemas e as questões nacionais.

O livro ainda cita nomes importantes como os escritores Lima Barreto, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e muitos outros artistas e intelectuais da época, além de diversas outras informações e ilustrações. Esta foi uma breve ‘pincelada’ com o intuito de incentivar a leitura deste livro e de outros que venham acrescentar novos olhares no estudo das artes.

Monica Velloso é doutora em história Social (USP) e autora dos livros Mario Lago: Boemia e Política, Modernismo no Rio de Janeiro e As tradições Poulares na Belle Époque Carioca, além de vários artigos na área de história cultura. Trabalhou de 1995 a 1999 no Cpdoc (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil ) e atualmente é pesquisadora pela Faperj na Fundação Casa de Rui Barbosa.

Que cara tem o Brasil?: culturas e identidade nacional/
Monica Velloso. Rio de Janeiro; Ediouro, 2000.

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