Nuno Ramos

Considerado um dos grandes nomes da Arte Contemporânea Brasileira, Nuno Ramos nasceu em São Paulo em 1960. Estudou filosofia na USP e trabalha como escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, escritor, videomaker e compositor.

No começo de sua carreira, Nuno participou do grupo Casa 7. Deste grupo faziam parte Carlito Carvalhosa (1961), Fábio Miguez (1962), Nuno Ramos (1960), Paulo Monteiro (1961) e Rodrigo Andrade (1962). Eles trabalhavam em um ateliê onde trocavam experiências artísticas e todos tinham em comum a admiração por artistas neo- expressionistas como Philip Guston, Kiefer, De Kooning, Pollock e Markus Lupertz.

Este grupo teve grande importância porque propôs novas linguagens de se trabalhar a pintura no Brasil. Os artistas deste grupo não tinham comprometimento com um tema específico mas havia uma pesquisa com o gestual e com os materiais usados. Estas preocupações parecem continuar sendo relevantes para Nuno Ramos até os dias de hoje.

Em entrevista ao programa Roda Viva, transmitido pela TV Cultura (01/10/2012), Nuno Ramos diz entre outras coisas que “não sabe desenhar, não entende nada de perspectiva, mas que acredita que arte é a conversão do defeito em linguagem”. Com esta vontade de transformar alguma coisa que não sabe, que este artista vem dando vida a sua obra. A busca pela transformação, no sentido de desconstruir e dar novos significados também explica seu grande interesse dele pela matéria.

O tema que persiste na obra de Nuno Ramos é a matéria, se assim podemos dizer. A matéria é o fio condutor para a criação de Nuno Ramos. É com o interesse e a curiosidade em explorar todas as possibilidades dos materiais que Nuno Ramos trabalha. Dentre alguns dos materiais já usados em suas obras estão: glicerina, metal, plástico, tecido, pedra, água, lama, papel, madeira e vários outros. Como disse Carmo Ângelo, o Carminho, dono da fundição e amigo do artista há anos “Aquilo nasce da cabeça dele, ele gosta de conhecer a personalidade da matéria e caminha até um passo antes da destruição. É como se ele parasse na beira do abismo.”(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1127051-nuno-ramos-25-anos-de-carreira.shtml)

Estas “experiências” Nuno distribui em vários gêneros de arte. Pinturas tridimensionais, como o caso da série “Quadros” (1994) que possuem vários materiais como espelho, tecidos, plásticos, metal e folhas de ouro e prata sobre madeira. Instalações gigantes como “O globo da morte de tudo” (2012) da qual fazem parte diversos objetos como taça, peruca, ancinho, vaso sanitário, umidificador, as cinzas de uma edição de “As Pupilas do Senhor Reitor”, molde de gesso de arcada dentária, violão incinerado, tulipas negras, anão de cerâmica, feno, motor, urinol, troféu, aquário, pneu, pato de porcelana, crina de cavalo, lustre, galo português, vasilhame de vidro, uma edição de “Manual para Tratamento de Moléstias”, copo americano, joio, disco de vinil do Pancho López cujo sucesso “Quiéreme Mucho” está estampado na capa etc. E até ensaios como é o caso do livro Cujo (1993), no qual Nuno narra de maneira poética seus passos com a arte.

Animais também participaram de algumas de suas instalações como em “Bandeira Branca” (2010), presente na 29ª Bienal de Arte Contemporânea de São Paulo, em que dois urubus fizeram parte da sua obra e isto, inclusive, gerou grande polêmica. Mas, segundo Nuno, sua intenção real não é causar polêmicas mas sim estranhamento. Por isso há uma certa dose de agressividade em tudo que este artista faz, mas sem abrir mão da poesia jamais.

Além de exposições coletivas, Nuno Ramos também fez várias exposições individuais. Por exemplo, participou de quatro edições da Bienal de São Paulo (em 1985, 1989, 1994 e 2010) e da 46ª Bienal de Veneza (em 1995). Escreveu sete livros, entre eles ‘Ó” (2008) vencedor do Prêmio Portugal Telecom de 2009. E compôs várias músicas que podem ser ouvidas aqui. Algumas foram feitas com o músico Rômulo Fróes, que no passado foi seu assistente no ateliê.

vídeo:

http://www.itaucultural.org.br/index_temp.cfm?cd_pagina=2844&id=001445&titulo=Nuno%20Ramos&auto=undefined

Algumas de suas obras:

Referências:

http://www.nunoramos.com.br/portu/obras.asp

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2916&cd_item=1&cd_idioma=28555

http://oglobo.globo.com/cultura/nuno-ramos-constroi-globos-da-morte-em-galeria-do-rio-6709769

http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo6/ramos/index.html

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/802037-nuno-ramos.shtml

http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/12/20/materializacao-do-imaginario-em-nuno-ramos/

http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-nuno-ramos-01-10-2012

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