Letícia Parente e a Vídeo Arte

Pioneira em Vídeo Arte no Brasil, Letícia Parente nasceu na Bahia, em 1930 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1991. Doutora em Química, estudou também Artes no NAC (Núcleo de Artes e Criatividade), em 1972, o que, segundo ela, lhe causou certo receio no início. Era estranho se apresentar como cientista profissional dentro da área, aparentemente “oposta” ou avessa à ciência.

Apesar de ter trabalhado com vários meios: pintura, gravura, desenho e fotografia, foi através das performances, registradas por máquina filmadora e que resultavam em produções de Vídeo Arte, que Letícia Parente se destacou.

Letícia vem de uma geração de artistas que queriam romper com paradigmas, principalmente relacionados à própria arte. Negavam a concepção de arte necessariamente ser contemplativa, estar em uma moldura, pendurada na parede e quase sempre estar direcionada para venda. Estes artistas queriam mostrar que havia outra forma de valorizar o fazer artístico, como a arte experimental que além de outras questões levava em conta o processo, em que o espectador participava e não via só o resultado final. Como ferramenta, algumas vezes, usavam o próprio corpo em suas representações, apropriando-se das tecnologias, do vídeo, da imagem em movimento.

Além de propor meios não convencionais para expressão artística e ser elemento ativo em seus vídeos que eram gravados na sua própria casa, havia também uma crítica social e política que permeava os trabalhos de Letícia Parente. Como é o caso de “Marca registrada” (1975) vídeo de 9 min., em que a artista, com uma linha e agulha, costura no próprio pé as palavras Made in Brasil. O rosto da artista não aparece, ficam em foco a sola do seu pé e sua mão bordando. O vídeo causa certo desconforto nos espectadores, uma certa aflição, possivelmente intencional. Transmite o incômodo que a artista sentia, não só pela ação mas também pelas questões subjetivas que ela implica. Como, por exemplo, o fato da costura e o bordado geralmente serem vistos como atribuições femininas em nossa sociedade. Há uma crítica à identidade nacional que tende a homogenizar a cultura, a comportamentos padronizados. Questiona a ideia de pertencimento a algum lugar ou a alguém, como o ferro que marca o boi. E ainda chama a atenção para a arte produzida no Brasil. Além da escolha do suporte para o bordado ser a sola do pé, sugere que estes conceitos “enraizados” são de alguma forma “pisados” ou rejeitados pela artista.

Preparação I (1975), In (1975), Preparação II (1976), Espetacular (1978), De Aflicti (1979) e tarefa I (1982) são alguns dos outros vídeos criados pela artista.

Vídeos:



Referências:

http://www.leticiaparente.net/
http://leticiaparente.net/frame_texto_Videoarte.htm

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Uma resposta para Letícia Parente e a Vídeo Arte

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