Nise da Silveira

Alagoana, nascida no ano de 1905, Nise da Silveira, se formou em psiquiatria na Bahia em 1926. Teve grande importância na Arte Brasileira pois o trabalho que seus pacientes desenvolviam influenciou o trabalho de vários artistas contemporâneos. Foi responsável pela criação do Centro Psiquiátrico Pedro II, em 1944, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro.

Inconformada com os agressivos métodos tradicionais da psiquiatria, como coma insulínico ou o eletro choque, Nise começou a buscar novas formas para o tratamento de pacientes com transtornos mentais, principalmente os esquizofrênicos, que na época geralmente eram isolados da sociedade e tratados como incompreensíveis.

A pesquisa surgiu a partir de algumas pinturas feitas por pacientes com esquizofrenia grave. Segundo ela, diferente do que se esperava, eram imagens circulares com configurações perfeitas. Para entender melhor este fato, ela reuniu estas imagens e enviou para Carl Gustav Jung (1875-1961), dizendo que havia ficado surpresa pois esperava que eles fizessem imagens que expressassem cisões, rupturas. Jung lhe respondeu dizendo que estas imagens eram mandalas e que exprimiam não somente a cisão mas também eram forças auto-curativas que procuram reunir as rupturas em formas de contorno harmonioso. A partir deste momento, Nise começou a utilizar a psicologia Junguiana como sua ferramenta de trabalho para o tratamento da esquizofrenia.

Em 1946 a Dra. Nise se tornou responsável pela seção Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional. Lá ela criou ateliês para desenvolver seu trabalho da forma que acreditava ser mais eficaz para o tratamento destes pacientes. “Os métodos” consistiam em colocar os hóspedes em contato com diversos materiais para que eles expressassem seus afetos ocultos e aprendessem a lidar com as sensações e suas consequências . Para o desenvolvimento deste trabalho os pacientes frequentavam ateliês livres, ou seja, eles escolhiam quais atividades gostariam de realizar. Como suporte eram usadas atividades nas áreas de encadernação, música, costura, modelagem, pintura, teatro etc. Através destes métodos e de muito afeto, que visavam fazer com que o paciente externalizasse sentimentos inconscientes, Nise realizava seus estudos.

Almir Mavignier (1925), enfermeiro e artista plástico, era o monitor do ateliê de pintura e através de convites feitos por ele a seus amigos, jovens artistas da época, Ivan Serpa ( 1923-1973) e Abraham Palatinik (1928), o ateliê se tornou um lugar de referência artística. Estes jovens admiravam e se inspiravam nos trabalhos dos artistas internos, considerando-os como a arte que realmente vinha de dentro. E havia também uma troca de experiências entre eles. Ivan Serpa, por exemplo, teve alguns alunos encaminhados pela Dra. Nise da Silveira, como Darcílio Lima que chegou a atingir carreira internacional.

Outro frequentador do Ateliê era o conceituado crítico de arte Mário Pedrosa que teve contato com estes trabalhos em uma exposição no Ministério da Educação em 1947. O encontro de Pedrosa com a Dra. Nise mudou a história do ateliê e possibilitou a criação do Museu de Imagens do Inconsciente. Pedrosa foi o grande defensor da arte produzida por estes pacientes e contribuiu para colocá-las no mesmo patamar de outras expressões artísticas contemporâneas, como o abstracionismo e o concretismo.

Além dos tratamentos realizados pela Dra. Nise terem contribuído para uma reforma psiquiátrica no Brasil, para a arte os tratamentos desenvolvidos por ela, também foram de grande importância, pois apresentaram novas possibilidades de envolvimentos e estudos artísticos. Entre os artistas que frequentaram o ateliê do hospital, alguns fizeram parte do Grupo Frente posteriormente, inclusive liderado por Ivan Serpa, e passaram a experimentar novos tipos de “fazer arte” como a pintura abstrata, o concretismo e a arte cinética. Isto se deu junto com o contexto cultural da época, com a vinda das primeiras exposições das vanguardas internacionais ao Brasil.

Dentre os pacientes da Dra. Nise, vários deles tiveram reconhecimento artístico pelo valor e consistência de suas obras, dentre eles Fernando Diniz (1918- 1999), Emygdio de Barros (1895- 1986), Arthur Amora , Raphael ( 1912-1972) e Adelina Gomes (1916-1984). Diversas exposições foram realizadas com as obras destes artistas, inclusive na Bienal de Veneza de 1981.

Algumas das obras dos artistas:

Referências:

http://www.ccms.saude.gov.br/nise_da_silveira/apresentacao.html

http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/html/paineis.html

http://www.ccms.saude.gov.br/nise_da_silveira/mulher_tempo.html

A CIENTISTA E O ARTISTA: NISE DA SILVEIRA E ALMIR MAVIGNIER

ENCONTRAM AS IMAGENS DO INCONSCIENTE, José Otávio Motta Pompeu e Silva.

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