José Rufino, o artista da memória.

Formado em Geologia, com pós-graduação em Paleontologia, José Rufino, que adotou este nome que era do seu avô, é artista plástico e professor de Paleontologia na Universidade Federal da Paraíba.

Conhecido como o “artista da memória”, José Rufino leva este apelido por criar obras que fazem referências fortes ao passado, algumas vezes, o seu próprio passado e de sua família. Mas Rufino acha que suas obras não só resgatam o passado, mas também acrescentam novos fatos, reinventando os acontecimentos, de certa forma.

Rufino chegou às artes plásticas passando primeiro pela literatura. Escreveu poesias, poemas visuais, chegando na arte postal na década de 80. Depois deste período, começou a trabalhar com desenhos e instalações usando os móveis herdados da antiga fazenda de cana-de-açucar de seu avô.

A instalação criada com estes móveis chama-se Lethe (2009). O nome faz referência ao rio do esquecimento na mitologia grega. Os móveis escolhidos faziam parte do escritório da casa grande e estavam ligados à burocracia que envolvia esta estrutura de poder. A obra se resume em várias cadeiras e mesas antigas deitadas como se tivessem sido largadas no leito de um rio, e estas peças contêm raízes. Segundo o artista, esta obra sintetiza sua estratégia de trabalho na medida em que é como se ele estivesse se livrando de tudo que havia acumulado ao longo do seu percurso.

Documentos antigos também foram usados em algumas obras de José Rufino, como por exemplo, na série Cartas de areia (1991). Após a morte de seu avô, José Rufino herdou por volta de 5.000 cartas que pertenciam a ele. Nas cartas, Rufino teve contato com histórias que não conhecia sobre seus avós e sua família. Para entender e digerir um pouco daquelas histórias ele fez desenhos e monotipias nas cartas e envelopes, como uma tentativa de reconstruir este passado, para que ele pudesse seguir adiante. O nome da série, segundo o artista, é uma metáfora que se relaciona com uma das características da areia, algo que não se pode reter.

A última obra produzida por Rufino também tem relação com o passado, mas desta vez o passado da cidade do Rio de Janeiro. Com as obras realizadas na cidade do Rio de Janeiro para a Copa do mundo e Olimpíadas, vários artefatos históricos enterrados foram encontrados pelos operários. José Rufino soube desse fato e começou a acompanhar este trabalho a fim de ficar com o que seria descartado e não ira para os museus. Em posse destes objetos, restos de asfalto, pedaços de cerâmica, tijolos e pedaços de madeira, ele construiu um “esqueleto” de um homem gigante, e no interior de seu “corpo” colocou várias estantes que também continham estes elementos. O nome da obra é Ulysses (2012), o mesmo nome do herói na Odisséia grega de Homero.

Segundo o artista, tanto na paleontologia como na arte, resgata-se o passado e a história simultaneamente. A diferença entre estas profissões é que a arte lhe dá a liberdade de interferir e alterar este passado, criando novos significados.

Algumas de suas obras:

Referências:

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=4971&cd_item=1&cd_idioma=28555

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=4971&cd_item=18&cd_idioma=28555

http://www.joserufino.com/site/obras/

http://www.joserufino.com/site/biografia/

http://www.goethe.de/ins/br/sab/prj/rap/art/ruf/ptindex.htm

http://bravonline.abril.com.br/materia/espirito-antropofagico#image=185-av-ulysses-1

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