Pedro Moraleida

Nascido em Belo Horizonte em 1977, Pedro Moraleida estudou Belas Artes na UFMG e antes de morrer, aos 22 anos de idade, já era considerado um dos artistas mais expressivos de sua geração.

Filho de mãe socióloga e pai jornalista, era descrito como um menino tímido, muito inteligente, criativo, sensível e inquieto. Envolveu-se com bebidas e drogas e passou por muitos conflitos existenciais na passagem para vida adulta. Tinha vários amigos, mas isso não o impediu de cometer suicídio aos 22 anos de idade.

Desde a adolescência, Pedro já fazia muitos desenhos ligados principalmente à linguagem dos quadrinhos, criando personagens e histórias. Mais tarde, já na faculdade, Pedro foi convidado a participar de diversas exposições como, por exemplo, a “Condoam-se F.D.P”, conjunta com Frederico Ernesto, que foi selecionada pelo Jornal Estado de Minas como um dos dez eventos culturais mais importantes de 1998.

Pedro deixou um acervo de 1450 desenhos, 450 pinturas, 250 textos. Em sua pintura, Moraleida representava a visão crítica e ácida do mundo. Suas telas parecem gritar e, geralmente, causam um misto de atração e desconforto nos espectadores. As cores da paleta de Pedro são vivas e chapadas, suas pinceladas parecem rápidas e inquietas e isso se reflete na forma de suas figuras. Na maioria das vezes as pinturas estão acompanhadas de citações escritas com alfabeto próprio. Letras pontiagudas, angulares e marcantes que também sugerem uma certa agressividade. Percebe-se no conteúdo de seus trabalhos grandes doses de ironia e a negação dos valores sociais vigentes relacionados a sexualidade, relações de poder, religião e política.

Segundo Marcos Hill (2001), professor e pesquisador de História da Arte, “A diretividade do foco sobre tais valores, traduz um redimensionamento ético desassossegado, indicando critérios de seleção que acolhem a consciência de Moraleida em lugares construídos por ele e para ele. Encarnando o romântico narrador invisível, onipresente, desdobrado em voyeur, poeta ou revolucionário, o profeta amigo de Deus não contém sua generosidade. Como um demiurgo atormentado, o artista parece extrair das dolorosas dúvidas de sua jovem existência certezas materiais que ironicamente são transformadas em revelações de envergadura divina.”

Na obra “Sentindo um cansaço mortal por representar o humano sem fazer parte do humano”,

da série Capela Sistina, há uma junção de símbolos antagônicos segundo Adriana Pereira Barbosa. O formato da tela é um tridente, uma referência simbólica estereotipada do “diabo”, principalmente quando associada a uma figura com chifres que se repete. Há também uma figura humana cuja cabeça é uma caveira, imagens de sexo entre humanos e animais, uma outra figura com duas cabeças. Na parte central da tela há cruzes, símbolo da religiosidade cristã; soldados armados, representantes da repressão, do poder e dos bons costumes tem o seu sexo amostra em posição masturbatória e rostos sem expressão.

Na série “Presidentes americanos e líderes comunistas vendem anúncios pornográficos”,

Mao Tsé Tung, Fidel Castro, George Washington, Abraham Lincoln e John Kennedy aparecem, quase todos de pernas abertas, mostrando seus sexos, uns masculinos e outros femininos conforme as mensagens escritas nos balões. Esses homens fazem, em inglês, apelos pornográficos, em uma ironia mais que explícita com os reconhecidos representantes públicos do poder.

Na verdade, alguns críticos acreditam que o questionamento da função do artista é o que permeia todas as obras de Pedro. Isto aparece em seu manifesto, no qual ele falava sobre as “maravilhas da humanidade” que perseguiam os artistas : “A baixa auto-estima, os delírios persecutórios, as manias obsessivas, o desprezo pela vida, o pânico dos semelhantes, a incapacidade de discernimento, as mudanças bruscas de temperamento, as disfunções sexuais, a incapacidade de comunicação, a tendência ao vício, o abismo do desespero, o desânimo para qualquer coisa, o isolamento social e tantos outros presentes divinos” (MORALEIDA, 1998. P. 9 )

Algumas de suas obras:

Referências:

http://www.cave.cave.nom.br/index_flash.html
http://www.abralic.org.br/anais/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/031/ADRIANA_PEREIRA.pdf
http://tribunaldosantooficio.blogspot.com.br/2007/12/tribunal-do-santo-ofcio_29.html

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Uma resposta para Pedro Moraleida

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