João Turin

Considerado o precursor da escultura no Paraná, João Turin deixou um considerável acervo que inclui pequenas esculturas e baixos-relevos, pinturas, monumentos históricos e outras obras em locais públicos da capital e municípios paranaenses. João Turin destacou-se e é reconhecido como escultor animalista sendo premiado no Salão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro em 1944 e 1947.

     Iniciou seus estudos na Escola de Artes e Ofícios de Antônio Mariano de Lima em Curitiba, onde atuou como aluno e professor.

Aos 27 anos com auxílio do Estado, seguiu para a Bélgica e especializou-se em escultura na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas, sob os ensinamentos do reconhecido mestre da estatuária, o belga Charles Van der Stappen. Por merecimento curricular, Turin conquistou como prêmio um ateliê, carvão para aquecimento e modelo vivo.

     Retorna ao Brasil em novembro de 1922, centenário da Independência e expõe no Rio de Janeiro a estátua de Tiradentes, trabalho executado em Paris, nesse mesmo ano e que recebeu boas referências na imprensa francesa.

     João Turin nasceu em Porto de Cima, município de Morretes – Paraná, no dia 21 de setembro de 1878 e faleceu em Curitiba no dia 9 de julho de 1949, aos 70 anos.

     Em 1944, João Turin recebeu no Salão Nacional do Rio de Janeiro com a escultura “Tigre Esmagando a Cobra”  uma Medalha de Prata. O artista vendeu as duas obras à Prefeitura do Rio de Janeiro. Ambas foram colocadas, em espaços públicos da cidade. “O Tigre Esmagando a Cobra”, no Zoológico da Quinta da Boa Vista e “Luar do Sertão” na Praça General Osório. Em Curitiba uma reprodução de cada obra foi colocada, a primeira na Avenida Manoel Ribas, entrada do Parque Barigüi e a outra na Avenida Cândido de Abreu, próxima à Prefeitura.

João Turin permaneceu no Rio de Janeiro algum tempo para resolver os trâmites burocráticos referentes à venda das obras. Todas as vezes que ia ao Rio de Janeiro hospedava-se na casa do pintor Theodoro De Bona, marido de sua sobrinha Argentina.

     Em 1947, a família De Bona vem para Curitiba passar as férias de verão e Turin, como de costume, por necessidades profissionais ligadas ao Salão Nacional do Rio de Janeiro, hospeda-se na casa da sobrinha, responsabilizando-se pela segurança da residência e pelos cuidados com o cachorro, apelo constante de De Bona nas cartas enviadas a Turin.

     O calor intenso do Rio de Janeiro de 40º à sombra, abalou a saúde de Turin. Mesmo sem concluir as negociações com a Prefeitura, o artista retornou a Curitiba no início de maio de 1948. As negociações da venda da obra só foram ultimadas em setembro. De Bona e Erbo Stenzel resolveram os assuntos pendentes.

     A década de 40 foi de muito trabalho e compromissos para o artista, o que por um lado lhe deu segurança financeira e notoriedade, por outro, agravou sua saúde já debilitada. Era visível o abatimento do escultor, havia perdido peso e seu coração cansado dava sinais de alerta.

João Turin morreu trabalhando, deixou obras inacabadas. “As Quatro Estações”, encomenda do Governador Moisés Lupion, atualmente, reproduzidas em bronze, ficaram no cavalete e quem as retocou foi o escultor Erbo Stenzel.

     Nos poucos dias que antecederam à sua morte, recebeu o comunicado de que havia obtido o primeiro lugar no concurso Pró-Monumento a Vicente Machado. Os bustos de João Gualberto, Dulcídio Lacerda e Sarmento de Morais, que deviam ser entregues em curto espaço de tempo para a Polícia Militar do Paraná, nem foram iniciados.

     João Turin desejava viver mais. Prognosticou sua morte para 1972, no projeto de seu próprio jazigo. Não deu certo, a matemática da vida subtraiu-lhe vinte e três anos.

     Queria fazer muitas fontes para Curitiba, “Dos Amores”, “Do Primeiro Beijo”, “Da Beleza”, “Da Inocência”, “Dos Curiosos” e muitas outras. No Paraná mais de vinte monumentos são de sua autoria.

     “A arte é expressão de nossa vida, de nossas paixões, de nossos vícios e virtudes”, dizia ele. Afirmava também que os artistas que se revoltaram contra o jugo dos pontífices foram os responsáveis pela liberdade e a renovação da arte.

     Para ele, depois de Monet e de Cézzane, tudo se anarquizou e não podia admitir a falta de senso crítico daqueles que aceitavam tudo como arte.

     Indignado com a demolição do antigo Teatro Guaíra, em 1947, desejou construir um teatro de estilo para Curitiba. Embora o arquiteto João De Mio lhe dissesse em carta para não se preocupar com isso, pois Curitiba estava suja, as ruas malconservadas, a cidade não merecia um teatro, existiam outras prioridades. O Pavilhão Carlos Gomes está muito bom, dizia De Mio.

     A mesma indignação causou a demolição de seu ateliê, no início da década de 50. Construído de acordo com o seu projeto e com características decorativas arquitetônicas próprias, onde a fauna e a flora paranaense e o índio se compunham em perfeita harmonia. Os motivos eram nossos, não precisávamos copiá-los dos modelos europeus, afirmava Turin.

     O pinheiro foi o ícone do estilo paranaense, criado por Turin, e pelos pintores Lange de Morretes e João Ghelfi.

    O Salão Paranaense na antiga sede do Clube Curitibano na Rua XV de Novembro e a residência do doutor Leinig (detalhe) na Rua José Loureiro, ambos em Curitiba, também não foram preservados.

João Turin foi um homem de boas relações e amigo. Era admirado pelo seu temperamento alegre, por sua simplicidade e franqueza, desde os tempos da Europa.

     Em 1998, em comemoração aos 120 anos de nascimento do escultor (1878), foi lançado o livro “A Arte de João Turin”, projeto da sobrinha-neta do artista, Elisabete Turin, contando a trajetória do homem e do artista que ele foi. O livro também traz textos do professor e crítico de arte, Fernando Bini; do artista plástico Loio Pérsio e do doutor René Ariel Dotti, responsável pela instalação da Casa João Turin, na sua gestão como Secretário de Estado da Cultura.

Algumas de suas obras:

ImageImageImageImageImageImageImageImageImage

 Referências

http://www.cultura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=261

Anúncios

Sobre artebrasileirautfpr

Um endereço para aproximar, experimentar e [re]conhecer a arte brasileira.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s