Violeta Franco

     Maria Violeta Franco de Carvalho (Curitiba PR 1931 – idem 2006). Pintora, desenhista e gravadora.  Entra para o mundo das artes plásticas muito cedo, como por acaso, mas seu período de aprendizado foi muito intenso e apaixonado, pois só se torna um grande artista com paixão. Curitiba era uma pacata vila e os projetos dela iam muito além do que o ambiente provinciano poderia oferecer. A insatisfação e o conflito com o tradicional aparecem logo pelas leituras que faz, Franz Kafka, e fornecem as bases para sua paixão pelo expressionismo alemão presente desde as primeiras obras. 
     Foi Guido Viaro quem primeiro lhe orientou na pintura mas, principalmente, foi o curso de gravura que Poty Lazzarotto deu em Curitiba quando de seu retorno de Paris, é que determinaram o caminho que Violeta seguiria. Ambos artistas são pioneiros da tendência expressionista dominante na Curitiba dos anos 50, ligados à figuração subjetiva, centrado no homem, e tratam com violência formal os fatos do cotidiano. Assim para ela, pintura significa liberdade e gravura, disciplina; notemos que as deformações gráficas inspiradas pelas gravuras foram determinantes para a estética expressionista.
     Possivelmente foi através de Poty, por sua vez influenciado pela obra gráfica de Käthe Kollwitz e pelo cinema expressionista alemão, é que Violeta desperta sua paixão expressionista. O expressionismo, como bem explica Maria José Justino, foi a modernidade no Paraná e abriu o espaço para a abstração.
     Através do curso de Poty ela conhece o grupo dos jovens artistas paranaenses, alguns deles alunos da recém criada Escola de Música e Belas Artes do Paraná, e como ela insatisfeitos com o clima artístico pacato e conservador; Violeta instala então o seu atelier na garagem da casa de seus avós, ambiente livre e descontraído, denominado de a “Garaginha”, propício para as discussões artísticas e intelectuais que questionavam os movimentos artísticos. As informações vinham através de um frequentador dos debates, o industrial Mário Romani era quem trazia da Europa livros e revistas principalmente as que tratavam da arte moderna no momento e no local onde ela estava sendo produzida.

     O leque temático se abre da flora para a fauna, além das folhagens aparecem os pássaros, mas podem conter também figuras humanas, formas sempre resultante de uma vivência intensa, incluindo seu papel de mulher e de pessoa humana. Como a pintura sai de dentro, das entranhas, ela também quer mostrar as entranhas da flora e da fauna, as formas vegetais e animais são decorticadas, o que está ali não é o vegetal, a folha, o caule, é o pistilo, a corola, a polpa, os fragmentos de plantas e pássaros.

     Violeta por vezes mergulha na abstração, não por muito tempo, pois cada quadro seu é uma abordagem na qual o quadro mesmo pede a solução. Pintar é produzir um mundo, não reproduzir uma imagem do mundo; o processo do quadro depende dele mesmo, vai sendo criado junto com a construção do mesmo quadro. É intuitivo, exigiu a gestualidade, o gesto largo, o gesto que reproduz a memória do mundo vegetal ou animal. 

     A partir dos anos 90, suas cores ficam mais suaves, mais lúcidas e transparentes, ela aplica camada sobre camada de tinta até considerar que conseguiu o valor cromático e a impressão de espaço correspondente a sua ideia de pintura, sempre com uma composição dissonante e imprevisível que, por isso, não a deixa cair na repetição ou na rotina. Quando a violência ou a agressividade da cor é muita Violeta a reduz com veladuras claras que abrem os espaços e deixam o fundo respirar, outras vezes, quando a suavidade e a transparência são exageradas ela novamente vela com cores fortes e opacas que parecem avançar ou recuar, descer ou subir.
     Estas veladuras, feitas com rolo e não com o pincel, tomam conta do espaço todo da tela, incluindo a sua moldura, mas garante ainda o ritmo pictórico vital, o movimento dramático que da aparente geometria procuram a liberdade da intuição, do dinamismo. Com o entrecruzamento dos planos cromáticos, dos grafismos gestuais, das veladuras que velam ou revelam, da ausência de perspectiva, Violeta inventa uma escritura plástica que tem seu universo de formas e símbolos encontrados na cor, no grafismo e na composição.

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Referências

http://www.muvi.advant.com.br

http://www.itaucultural.org.br 

 

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