Vicente do Rego Monteiro

     Vicente do Rego Monteiro nasce em Recife no dia 19 de dezembro de 1899, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro aos nove anos de idade em 1908. Nesse ano inicia os estudos artísticos, acompanhando a irmã Fedora do Rego Monteiro na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Em 1911, a família muda-se para Paris, onde o artista frequenta os cursos livres da Académie Colarossi e estuda desenho, pintura e escultura nas Académies Julien e La Grande Chaumière. Sua vida seria dividida entre a França e o Brasil, chegando a declarar certa vez: “Para mim só existem duas cidades: Recife e Paris”.

     Em 1913, participou do Salon des Independents. Volta ao Rio de Janeiro em 1915, devido à Primeira Guerra Mundial. No início da carreira, dedica-se brevemente à escultura. Em 1920, realiza exposição de desenhos e aquarelas, apresentada em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Nessa mostra, já revela o interesse pelas lendas e costumes da Amazônia, que se tornam inspiração para grande parte de suas obras. Estuda atentamente as coleções de cerâmica marajoara do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Nesse período estabelece contato com artistas ligados ao movimento modernista: Anita Malfatti, Victor Brecheret e Di Cavalcanti. Viaja para a França em 1921 e deixa algumas pinturas com o crítico e poeta Ronald de Carvalho, que decide incluí-las na seleção de obras expostas na Semana de Arte Moderna de 1922.

     No início da década de 1920, produz aquarelas nas quais representa lendas indígenas, recorrendo à figuração geométrica e também à ornamentação da cerâmica marajoara, como em Mani Oca e O Boto (ambas de 1921). Retorna nesse ano a Paris, onde convive com os artistas Victor Brecheret, com os quais compartilha o interesse pelas estilizações formais do art deco. Na obra A Caçada (1923) o pintor utiliza o recurso de estilização das figuras, que apresentam certa tensão muscular e assumem o aspecto de engrenagens, tendo as obras de Fernand Léger como parâmetro.

     Preocupado em adaptar temas tradicionais da arte sacra a uma linguagem moderna produz Pietá (1924), a qual se destaca pela aparência plástica de relevo e pelo uso de uma gama cromática reduzida, recorrente em sua obra: nuances de ocre, cinza e marrom.

Em 1923, faz desenhos de máscaras e figurinos para o balé Legendes Indiennes de L’Amazonie. Integra-se ao grupo de artistas da galeria e revista L´Effort Moderne, de Leonce Rosemberg. Traz ao Brasil a exposição A Escola de Paris, exibida no Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Decora a Capela do Brasil no Pavilhão Vaticano da Exposição Internacional de Paris, em 1937.

     Em 1930, traz para o Recife uma exposição de artistas da Escola de Paris, que inclui, entre outros, quadros de Pablo Picasso, Georges Braque, Joan Miró, Gino Severini, Fernand Léger e suas próprias obras. Essa exposição é importante por ser a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às grandes inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Ao ser apresentada em São Paulo, a mostra foi acrescida de telas de Tarsila do Amaral, que o artista conhecera em Paris na década anterior.

     A partir 1941, publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, organiza e promove vários salões e congressos de poesia no Brasil e na França.
     Em 1946, funda a Editora La Presse à Bras, dedicada à publicação de poesias brasileiras e francesas.

     Além de pintor, Vicente do Rego Monteiro foi também, entre outras atividades, cenógrafo, editor (imprimiu obras de poetas franceses num prelo manual entre 1947 e 1956) e poeta, recebendo importantes prêmios de literatura na França, como o Le Mandat des Poètes, em 1955 e, em 1960, o Guillaume Appollinaire, o qual dividiu com Marcel Bealu.

     Dono de um estilo singular, seus trabalhos são marcados pela simetria das composições, rigorosamente executadas, como em “Mulher Sentada”. E mesmo em trabalhos assimétricos como “Goleiro”, pertencente a uma série surgida a partir do gol nº 1000 de Pelé, o equilíbrio da composição é uma preocupação constante na obra do artista, além dos tons terrosos: “Prefiro as cores construtivas, cores terra. Sou terráqueo, essencialmente terrestre”.

     Retorna ao Brasil, e dá aulas de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, em 1957 e 1966. Em 1960, recebe o Prêmio Guillaume Apollinaire pelos sonetos reunidos no livro Broussais – La Charité. Entre 1966 e 1968, dá aulas no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília – UnB.

     Voltou definitivamente ao Brasil em 1965, instalando-se em Recife, onde faleceria cinco anos depois, pouco antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde se preparava a exposição “Resumo”, na qual figuravam telas de sua autoria.

 Image     Image

Image     Image     Image

Image

 

Referências

http://www.mercadoarte.com.br/artigos/artistas/vicente-do-rego-monteiro/vicente-do-rego-monteiro

http://www.e-biografias.net/vicente_do_rego_monteiro        

 

Anúncios

Sobre artebrasileirautfpr

Um endereço para aproximar, experimentar e [re]conhecer a arte brasileira.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s