Eduardo Kac

Kac tem sido pioneiro em vários campos de interseção de arte/ciência/tecnologia, e não apenas no Brasil. No conjunto de sua obra, pode-se encontrar um pouco de tudo o que caracteriza essa interseção: fotografia, instalações e performances na cena pública, grafites, painéis eletrônicos, holografia, telepresença, robótica, multimídia, arte & biologia, etc. Seus trabalhos mostram ainda um desejo de explorar formas de arte que possam ser reproduzidas e inseridas em um contexto de mídia de massa.

O trabalho de Kac com holografia é considerado um dos mais avançados do mundo e lhe rendeu o Prêmio Anual da Shearwater Foundation Holography, o mais prestigioso dentro da área. Um exemplo particularmente inventivo de sua produção holográfica é Quando?, em que Kac (e o co-autor Ormeo Botelho) tiveram a idéia de associar o movimento do espectador/leitor com o movimento do próprio holograma ao girar em torno de seu eixo, fazendo as palavras A LUZ, ILUDE, A LENTE, LENTA e MENTE comporem múltiplas possibilidades de combinação ao longo de um giro de 720 graus.

Outro terreno em que Kac se notabilizou foi o da poesia com novos meios. O artista concebeu poemas para quase todos os novos meios, do videotexto ao CD-ROM, passando pela holografia, computação gráfica e redes telemáticas.

Entre os trabalhos que lhe renderam maior respeitabilidade no plano internacional, pode-se citar aqueles que operam com robôs, bem como com a discussão sobre a relação entre o homem e a máquina. Por ocasião do Isea 97, por exemplo, Kac, com a colaboração de Ed Bennett, um projetista de hardware especializado em robótica, concebeu um evento polêmico, que se chamou A-Positive. O evento compreendia um intercâmbio intravenoso entre um homem (o próprio Kac o testou pela primeira vez, mas qualquer outra pessoa podia fazê-lo) e um robô. O corpo humano doava sangue ao robô e este, por sua vez, extraía oxigênio do sangue, com o qual mantinha acesa uma pequena chama em seu próprio mecanismo. Em troca, o robô doava dextrose ao corpo humano. Tanto o corpo quanto o robô (na verdade, um biobô) estavam atados por via intravenosa e tubo esterilizado, pelos quais se alimentavam mutuamente: o corpo mantinha “viva” a chama no robô, enquanto este último alimentava o corpo para mantê-lo vivo. Com esse evento, Kac nos coloca no coração de uma nova ecologia, em que pessoas e máquinas convivem juntos num relacionamento delicado, ocasionalmente criando intercâmbios simbióticos. Nesse sentido, a obra de Kac parece sugerir que formas emergentes de interface homem-máquina estão mudando profundamente as bases de nossa cultura antropocêntrica e deverão reconciliar o corpo humano não apenas com a biosfera inteira, mas também com a tecnosfera.

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Referências

www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-index.php?page=Eduardo+Kac

4.bp.blogspot.com/-3TmY1xb3Lwg/UPcJaJlbDQI/AAAAAAAAEHU/glTS7stNxdY/s1600/petunia+3.jpg

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